Em meio à Covid-19, queimadas ampliam risco de doenças respiratórias

Em meio à Covid-19, queimadas urbanas amplia risco de doença respiratória crônica, assim na Região Serrana do Rio. A lei de Crimes Ambientais destaca multa e detenção

A combinação entre a Covid-19 e a fumaça gerada pelos incêndios florestais e pelas queimadas urbanas – que acontecem como uma cultura em períodos do ano em cidades da Região Serrana do Rio de Janeiro – ampliam as internações e atendimentos de pessoas que apresentam quadro de doenças respiratórias.

“A soma da Covid-19 com queimadas e incêndios é a tempestade perfeita para termos um pico significativo de aumento de casos e até mortes nos estados por causa de problemas respiratórios”, afirma a pesquisadora das universidades britânicas de Oxford e Lancaster, Erika Berenguer, como aponta um estudo da Fiocruz.

Durante o período de outono e inverno, devido ao ar seco e a falta de chuva, o acúmulo de resíduos provenientes de podas aumenta. As queimadas se tornam mais corriqueiras nas cidades do interior do estado do Rio de Janeiro, gerando poluição do ar e causando transtornos para a maioria dos cidadãos. Portanto, os mais afetados são aqueles que já sofrem com algum tipo de doença respiratória, como bronquite alérgica e asma.

O problema acontece todos os anos, principalmente nas épocas de seca. Moradores limpam o quintal e, por falta de um plano de educação ambiental por parte do poder público, acabam colocando fogo em grandes montes de galhos secos e palhadas. Esse resíduo acaba por se misturar com pneus, garrafas pets, entre outros resíduos sólidos urbanos. Essa fumaça polui o ar e se torna altamente prejudicial para aqueles doentes crônicos.

Doença respiratória crônica

A fumaça das queimadas costuma afetar principalmente as crianças, ainda que tenha impacto também na saúde de idosos – que são grupo de risco para a Covid-19. A fumaça pode ser uma espécie de gatilho para o início de uma doença respiratória crônica.

A pesquisadora Sandra Hacon, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, explica que as crianças são mais vulneráveis à fumaça das queimadas, porque o pulmão ainda está em desenvolvimento. “A criança começa a apresentar um quadro de redução da função pulmonar e isso traz problemas como asma”. A perda de função pulmonar atinge ainda, segundo Hacon, a cognição e o aprendizado das crianças em idade escolar.

Mas nos idosos, a fumaça atua como agente irritante de vias áreas e pode agravar doenças pré-existentes. A fumaça das queimadas tem compostos tóxicos como monóxido de carbono, dióxido de carbono e óxidos de nitrogênio, além de materiais particulados. Essas substâncias têm alta capacidade de dispersão – o que faz com que a fuligem possa chegar a locais distantes dos focos de incêndio.

Mas cabe ao poder público ser incisivo e ostensivo na fiscalização contra esse tipo de prática. Com a Covid-19 o cenário de caos será ampliado e o Sistema Único de Saúde (SUS) pode entrar em colapso devido a tantos atendimentos. Foi o que afirmou a pesquisadora Hacon, da Fiocruz.

Na Região Serrana do Rio, denúncias referentes a crimes ambientais podem ser feitas à 3ª UPAm (Unidade de Polícia Ambiental). O telefone é (22) 2561-3228. Ou também, através da Polícia Militar, através do 190.

Atear fogo é crime

Vale destacar, que é crime ao meio ambiente o ato de atear fogo diretamente em uma área de mata ou pôr fogo em lixo ou folhas secas. No caso da intenção de destruir uma mata, a pena pode chegar a três anos de detenção e/ou multa (Artigo 38-A da Lei de Crimes Ambientais). Queimar lixo doméstico também é crime. A Lei de Crimes Ambientais, nº 9.605 de 1998, em seu artigo 54, descreve o crime de poluição, que consiste no ato de causar poluição, de qualquer forma, que coloque em risco a saúde humana ou segurança dos animais ou destrua a flora.

Por Iago Guimarães

Foto: Ilustração/Internet

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