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Duas Barras: uma cidade histórica; um município que preza suas raízes

“Nos arredores, Cantagalo, Teresópolis
Nova Friburgo e Bom Jardim, bem no caminho
Meu off Rio tem um clima de montanha”

Assim canta Martinho da Vila em versos à sua terra natal: Duas Barras.

O município de Duas Barras está localizado na região serrana fluminense, em terras desmembradas de Cantagalo, o pai de todos os municípios dessa região montanhosa. Sua cidade é ponto de encontro para moradores da região, para saboroso café da manhã, um bacalhau especial e outros alimentos bem preparados pelos chefs. O Instituto Martinho da Vila, em terras de propriedade desse notável compositor, cantor e escritor, é outro motivo para visitar essa encantadora cidade.

“É um lugar especial
Para quem é sentimental
E aprecia um gostoso bacalhau”

Duas Barras localiza-se a 22º03’04” de latitude Sul e 42º31’18” de longitude Oeste. Está a 530 metros de altitude. Sua população, segundo o Censo IBGE/2022, é de 10.980 pessoas, em uma área de 379,619 km². Vive-se muito bem em Duas Barras, que fica entre os municípios de Cordeiro e Bom Jardim, com acesso pela RJ-116, onde está localizado o pórtico. Pode, ainda, ser feito pela RJ-144, a partir na vila de Monnerat, o 2º distrito de Duas Barras. O primeiro é a sede.

“O galo canta de madrugada
E a bandinha toca na praça
Na entrada há um vale
Que é encantado”

O clima é ameno. As estradas de acesso à cidade são cercadas por montanhas. A topografia da cidade é boa para a prática de parapente, corridas e trilhas ecológicas. Os rios são objeto da pesca. Há fazendas históricas, entre elas a de Martinho da Vila, que é sede do Instituto Cultural. As cachoeiras Alta e do Tadeu são os alvos preferidos durante o verão. E este ano o clima será quente, mas não deve superar 34º.

Tem cavalgada, tem procissão e o luar que, em Duas Barras, é algo mágico.

“As cachoeiras principais de lá são duas
Lá em Cachoeira Alta
E na Queda do Tadeu, churrasco ao lago”

 Casarão da Fazenda Penedo, em Duas Barras, que cultivava café e cana de açúcar no século 19. (Foto: Janaína Botelho)
Casarão da Fazenda Penedo, em Duas Barras, que cultivava café e cana de açúcar no século 19. (Foto: Janaína Botelho)

Manuel Henriques, o Mão de Luva, teve acesso à região dos sertões de índios bravios que, mais tarde, seria Novas Minas de Cantagalo. Como garimpeiro lá esteve garimpando ouro de aluvião nas vias hidrográficas que passam por terras pertencentes a Duas Barras. O povoado surgiu por volta das primeiras décadas do século 19. O local era conhecido como fazenda Tapera, de propriedade do capitão Silveira.

Ali foi erguida a capela em hosana a Nossa Senhora da Conceição, doada pelo padre Francisco José de Oliveira à irmandade de Nossa Senhora da Conceição. Ranchos e casas de palha ou pau-a-pique começaram a ser construídos próximo a Igreja, como aconteceu em Cantagalo, em meados do século 18, com o povoado El Rey, construído pelo empreendedor e garimpeiro Manuel Henriques.

Duas Barras, com o desenvolvimento da localidade, mereceu o título de Curato, em 1836, sob a responsabilidade de um pároco. Teve início a produção de café. A migração de colonos suíços de Nova Friburgo para a localidade mudou as características socioeconômicas do povoado. Em 1838, o Curato ou o povoado de Tapera foi elevado à categoria de freguesia de Nossa Senhora de Duas Barras do Rio Negro.

As despesas realizadas com a construção da matriz dessa freguesia foram custeadas quase exclusivamente por Francisco Alves Ribeiro, em 5 de dezembro de 1834. Pelo Decreto nº 1.120, de 31 de janeiro de 1859, os limites entre a freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Duas Barras e o município de Cantagalo foram delimitados.

Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Duas Barras, RJ.
Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Duas Barras, RJ.

Duas Barras foi elevada à categoria de vila pelo Decreto RJ nº 233, de 8 de maio de 1891, sendo desmembrado do município de Cantagalo. Por esse mesmo decreto foi elevada à categoria de cidade. A denominação de Duas Barras tem origem no fato de a cidade estar situada entre as barras formadas pela junção do rio Negro com o rio Resende e com o córrego do Baú.

Duas Barra teve um empreendedor, João Antonio de Moraes, 1º barão de Duas Barras, que contribuiu significativamente para o desenvolvimento socioeconômico da região. Ele chegou a ter treze fazendas, todas produtivas e que geravam riqueza. Tratava os escravos com se fossem funcionários, cuidava da alimentação e da saúde deles. As mulheres grávidas ou em fase de amamentação tinham cuidados especiais.

O grau de desenvolvimento da povoação permitiu sua elevação à categoria de vila, com a criação do município de Duas Barras, por meio do Decreto n.º 233, de 08 de maio de 1891, sendo instalado em 20 de agosto daquele ano. O município compõe-se de dois distritos: o da sede e o de Monnerat, com uma zona urbana bem desenvolvida, à beira da RJ-116.

Martinho da Vila e sua estátua no dia da inauguração, em Duas Barras. (Foto: Prefeitura de Duas Barras)
Martinho da Vila e sua estátua no dia da inauguração, em Duas Barras. (Foto: Prefeitura de Duas Barras)

Martinho da Vila representa bem sua linda terra: tranquilo, cadenciado, samba e fala manso. É bela a interação entre a terra e seu cantor, em Off Rio.

“A minha Vila fica meio enciumada
Se eu pego estrada e vou correndo para lá
Se alguém pergunta, eu não digo
Onde fica o tal lugar
Mas canto um samba para quem adivinhar…”

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