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Cantagalo: Diretor de escola é acusado de distribuir santinhos de deputado à alunos

Vereadores de Cantagalo, na Região Serrana do Rio, colocaram a público na quinta-feira (29/9) denúncias de pais de estudantes da Escola Municipal Coronel Manoel Marcelino De Paula, localizada no distrito de São Sebastião do Paraíba, que relataram ter recebido dentro da caderneta de alunos, panfleto do candidato à deputado federal Aureo Ribeiro (Solidariedade).

Quem faz campanha para o candidato na cidade é a base da vice-prefeita Emanuela Teixeira Silva (Patriota), que possui estreitas relações com a direção da unidade escolar. A redação tentou contato com a política para saber se ela teria alguma influência no caso, mas não obteve sucesso. Foi apurado que o diretor da escola foi um dos incentivadores de sua campanha na eleição municipal de 2020.

O fato foi denunciado à Secretaria Municipal de Educação e à Justiça Eleitoral, podendo o servidor sofrer sanções legais por tal ato. A Secretaria Municipal de Educação de Cantagalo informou que vai protocolar em Diário Oficial um Inquérito Administrativo para apurar a conduta do diretor da unidade escolar. Na Câmara Municipal, a base do governo não se manifestou sobre o caso.

Um escândalo seguido de outro. Recentemente, veio à tona diversos cargos fantasmas da lista do Ceperj, que em Cantagalo buscavam apoio e base eleitoreira para o deputado estadual Rodrigo Barcellar. A organização política se ‘quebrou’ após o escândalo sair na imprensa.

Foi divulgada uma lista de ‘cargos secretos’ que recebiam dinheiro na boca do caixa, não declarado em Diário Oficial (portanto, cargos fantasmas). Projetos esportivos eram usados como faixada para fantasmas que recebiam dinheiro público indevidamente e, alguns, sequer conheciam algum projeto. Recentemente, o Ministério Público do Rio de Janeiro revelou que funcionários com cargos secretos da Fundação Ceperj sacaram R$ 22 milhões em dinheiro vivo entre setembro e dezembro do ano passado.

O valor se soma aos saques de R$ 226,4 milhões já conhecidos referentes ao período de janeiro a julho deste ano. Ao todo, os saques em espécie chegam a R$ 248,4 milhões —o valor equivale a 91% do total pago aos funcionários da Ceperj desde setembro do ano passado.

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Crime eleitoral

Vale lembrar que no Brasil, são vedadas, em sala de aula, a prática de doutrinação política e ideológica bem como a veiculação de conteúdo ou a realização de atividades que possam estar em conflito com as convicções religiosas ou morais dos pais ou responsáveis pelos estudantes, no caso em específico, os alunos mostraram aos responsáveis o material entregue pela escola. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) também deve investigar o caso.

Cientista político

Não é uma prática legal a instituição – ou o docente – demonstrar seu posicionamento político ou pedir votos para determinado candidato dentro da repartição, conforme informa o cientista político e professor universitário Humberto Dantas. Para ele, esse apoio pode influenciar não só os estudantes, mas também a família dos alunos. Ele afirma que, em termos legais, o papel da escola deve ser o de não se posicionar, apenas orientar sobre a importância da política para a democracia e para os setores do país.

“O que a instituição deve fazer é estimular seus alunos a olharem para a política como um canal real, legítimo e legal de transformação. Também deve explicar como funcionam as eleições e até pode abrir suas portas para múltiplos candidatos, de vários partidos, para a promoção de debates que sigam regras parecidas em termos de equilíbrio e de equidade”, destaca Dantas.

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