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Queimadas: uma prática desnecessária e um risco iminente ao meio ambiente

 

O tema de hoje é sobre algo impactante, que vem causando muitos problemas e divergências, o fogo. Ele pode ocorrer de forma natural, mas tem sido cada vez mais utilizado para a limpeza de áreas de plantio e roçado. Essa é uma prática desnecessário e arriscada, pois em grande parte dos casos não se tem controle do fogo, o que leva ao que vem acontecendo ano a ano: as queimadas descontroladas e em grandes extensões de vegetação nativa, em diferentes biomas.

Além da ameaça direta à biodiversidade, ameaçando diretamente a fauna e a flora, as queimadas atacam aquilo que não vemos: os microrganismos que garantem à saúde do solo. O fogo, além de atacar o que está sobre o solo, queima a biodiversidade existente no próprio solo, o que dificulta a sua recomposição, levando ao seu empobrecimento e, muitas vezes, à sua esterilidade. E para piorar a situação, elas liberam cinzas que alteram a composição química do solo. Assim, quando ocorrem as chuvas, substâncias presentes nas cinzas, são carreadas pela água, atingindo águas subterrâneas e superficiais, contaminando-as. Compostos presentes, especialmente nitrogenados e potássio, se solubilizam na água e, em grandes concentrações, se tornam tóxicos às espécies aquáticas (além dos organismos do solo) e afetam também, a qualidade da água.

Apesar desses aspectos negativos, muitos se apegam ao fato de que as queimadas enriquecerem o solo para novos plantios. Mas essa é um benefício questionável, uma vez que os riscos e malefícios superam os possíveis e insignificantes ganhos de nutrientes para o solo. Sabe-se que algumas espécies vegetais, especialmente no Cerrado, germinam após a passagem do fogo. Mas, fogo descontrolado, em grandes proporções e em anos consecutivos, não colaboram para esse renovar natural do ecossistema. Pelo contrário, causa um esgotamento que leva à processos de extinção de espécies vegetais. E ainda é preciso considerar que não é necessário atear fogo para adquirir nutrientes ou germinar plantas, isto ocorre de forma natural em um solo saudável.

Ainda é preciso considerar que outro ponto desfavorável ao fogo é que devido à dificuldade em ser controlado, não se sabe onde pode atingir. Assim, após a queimada iniciada em um roçado, uma área inteira de floresta pode ser atingida.  E uma floresta, para se regenerar, demanda tempo, o que compromete a fauna presente local, com perda de alimento e refúgio. Este fato pode ocasionar na morte ou predação de animais, que viviam no local, diminuindo sua biodiversidade. E devemos lembrar que, muitas vezes, a biodiversidade florestal atua como fator de equilíbrio que evita pragas urbanas e nas lavouras.

Um outro aspecto que desfavorece as queimadas, é a fumaça, que é toxica não apenas para os animais, mais também para os humanos, intensificando a ocorrência de doenças respiratórias e sobrecarregando o sistema de saúde. Além disto, ela atrapalha na aviação, causando fechamento de aeroportos. A fumaça também afeta, de modo particular, a avifauna, pois as aves não podem realizar voos com o tempo ruim, ou neste caso nublado pela fumaça. E essa fumaça ainda é levada, por correntes de ar, até outras regiões distantes, acarretando chuvas ácidas e acúmulo de sedimentos na água e vegetação.

Encerrando a coluna, frente à amargura das queimadas, não posso deixar de lembrar o escritor Euclydes da Cunha que, à frente de seu tempo, já nos alertava sobre essas práticas selvagens que desprezam a ciência e sacrificam o ambiente natural. Para ele, apesar do século que nos separa, “temos sido um agente geológico nefasto, e um elemento de antagonismo terrivelmente bárbaro da própria natureza que nos rodeia”.

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