Visitantes da pandemia #8: Gavião-carijó (Rupornis magnirostris)

Visitantes da pandemia #8: Espécie de ave gavião-carijó (Rupornis magnirostris)

Na coluna de hoje, termos a visita do nosso rapinante mais comum, o gavião-carijó (Rupornis magnirostris), que é conhecido como o terror dos pombos: onde ele aparece não fica um pombo dando moleza.

Os adultos medem entre 30 e 40 centímetros. O macho pesa entre 200 a 290 gramas, sendo mais leve que a fêmea, e variam entre 250 a 350 gramas. Há uma acentuada diferença para os jovens, que tem uma coloração marrom-carijó, podendo ser confundido com outros tipos de gaviões. Os  adultos apresentam bico amarelo, com pontas pretas, cabeça e manto superior amarronzadas (mas esse tom vai ficando cinza conforme a ave amadurece). A cauda é listrada de peto e branco, o peito e as pernas são brancos, com barrado ferruginoso. A parte inferior da asa é finamente estriada de preto.

O gavião-carijó é uma ave que prefere campos abertos e bordas de florestas, mas visita áreas urbanas, se adaptando facilmente. Eles podem utilizar o mesmo poleiro de caça por dias e até semanas, de onde observa tudo. Presente em todo território nacional, se adequa a cada bioma, também ocorre do México até Argentina.

Essa ave vive aos pares, formando casais, podendo ser observado a maior parte do ano. Eles fazem ninhos de gravetos e folhas, com meio metro de diâmetro, preferindo topos de árvores. A fêmea coloca dois ovos e durante o período de incubação de um mês, é alimentada pelo macho.

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Um comportamento observado por mim, é que macho e fêmea interagem entre si como se estivessem brincando de pega-pega, voando um atrás do outro, e emitindo o canto completo (não apenas aquele som de rapinante mais estridente, que pode ser confundido com outra ave, que não gavião). Tal comportamento pode ter relação com o acasalamento.

Para quem acha que esta espécie é apenas predadora e dominante, há registro dela sendo predada por jiboia. O gavião-carijó se alimenta de insetos, outras aves e lagartos. Ataca morcegos durante o dia, e ninhos de aves, por isso é comum ver siriris, bem-te-vis e outras aves, os atacando. Situação que já presenciei algumas vezes, e que já me fez perder bons cliques.

Depois de aprender um pouco sobre esse rapinante, ficou com vontade de vê-lo por aí não é mesmo? Então observe os céus, quando estiver próximo de nossas matas e fique atento. Quem sabe ele não passa voando, ou  pouse próximo de você?

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Gabriel Monnerat

Gabriel Monnerat

Geógrafo e fotógrafo da natureza com enfase em aves.