Visitantes da pandemia #7: Urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus)

Na coluna desta semana, temos a espécie que alguns dizem ser a mais feia da nossa avifauna, porém isto está sendo desmentido, pois cada uma tem sua beleza a seu modo. Ela é uma espécie bem conhecida e fácil de ser identificada, inclusive em voo, com as penas negras, tendo apenas a pontinha da asa branca e voar em círculos, pegando a corrente de ar.

O urubu-da-cabeça-preta é totalmente negro, exceto na ponta inferior da asa, que é branca. É o de menor envergadura de seu gênero, porém o mais bravo. Possui um olfato falho, em relação à outras espécies, mas sua visão é bastante aguçada, vendo a presa a muito metros de altura. Sua fama de “feio” veio da sua face e pescoços nus, com uma pele enrugada e seus olhos vermelhos. Mede em torno de 76 centímetros, com envergadura de 143 centímetros e o peso pode variar de 1,180 a 3,00 quilos, sendo fêmea mais pesada.

Está é uma espécie saprófaga, que se alimenta de carcaças de outros animais mortos. Isso a torna importante e faz com que seja conhecida como lixeiro da natureza – além fato de frequentarem áreas de lixão e lixos nas cidades. Este comportamento de comer animais mortos é conhecido como detritivo e antecede ao processo de decomposição, realizada pelos microorganismos.

Estes animais apresentam ampla distribuição geográfica, alcançando desde alguns países da América do Sul (inclusive todo o Brasil, até o sul dos EUA). Sempre ocorrem em áreas abertas, cidades, campos, sendo um pouco menos abrangente em áreas muito florestais, como a Amazônia. Comumente visto andando em locais de criação de galinhas.

Uma curiosidade a seu respeito, é a pratica de allopreening, que constitui basicamente na interação entre os indivíduos, em que um realiza limpeza no outro,  retirando parasitas. Outro motivo para este comportamento, que também é aceito, é o de posicionamento hierárquico e restabelecimento do bom convívio. Esse comportamento também é observado entre carcarás.

Agora que conhecemos o urubu-de-cabeça-preta, e sua importância, podemos vê-los com outros olhos. Podemos perceber sua majestade enquanto voa pegando as correntes de ar, fazendo círculos, sabendo que o nicho detritivo que ocupa é tão importante quanto qualquer outro, e que, apesar do tamanho e aparência, não é uma ameaça aos humanos. Aos que os repelem por andarem em lixões e terrenos onde o lixo se espalha, vale lembrar que a repulsa deve ser direcionada aos humanos que espalham o lixo, e não ao urubu que apenas se alimenta nesses locais.

Gabriel Monnerat

Gabriel Monnerat

Geógrafo e fotógrafo da natureza com enfase em aves.