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Empresa que assumiu transporte em Friburgo, Grupo Itapemirim vive crise

Viação Itapemirim que pertence ao Grupo Itapemirim – que assumiu o transporte público de Nova Friburgo recentemente – segue em recuperação judicial desde o início de 2016, está iniciando a venda de diversos imóveis e ônibus rodoviários, na tentativa de por fim ao processo judicial de recuperação onde pretende quitar as dívidas trabalhistas, tributárias e com seus inúmeros fornecedores que se aproxima de R$ 2 bilhões.

A Prefeitura Municipal, através das Secretarias de Governo e da Casa Civil, tornou público no final de maio o resultado da dispensa de licitação nº 017/2021 do Processo Administrativo nº 1840/2021. Ou seja, após anos, a Nova Faol deixará de prestar o serviço de transporte público na cidade, dando lugar a Viação Itapemirim.

De acordo com a Prefeitura, a Viação Itapemirim irá assumir transporte coletivo em Nova Friburgo pelo período emergencial de 12 meses. Ainda segundo a Prefeitura, observando-se os critérios de habilitação e classificação, a empresa Itapemirim Group LTDA demonstrou possuir as melhores condições de prestar o serviço adequadamente, atendendo às demandas próprias da sociedade friburguense, com valor tarifário inferior àquele atualmente praticado no município.

Entretanto, o Grupo Itapemirim vive um momento delicado. O Grupo Itapemirim irá leiloar 71 ônibus em dois leilões que irão se realizar ao longo do mês de julho para remanejar investimentos, o que vem contrário aos investimentos anunciados para Nova Friburgo no último mês. Segundo os editais, os veículos foram avaliados entre R$ 5.000,00 e R$ 100.000,00 para o primeiro leilão e entre R$ 2.500,00 e R$ 50.000,00 para o segundo leilão.

Investimentos

No início de junho, a Viação Itapemirim anunciou investimentos iniciais em frota para operação no transporte público de Nova Friburgo de aproximadamente R$ 65 milhões. Na ocasião, a empresa informou que a identidade visual dos ônibus urbanos seria a mesma usada nos veículos rodoviários, cuja cor predominante é amarela. Confira as informações completas publicadas, na ocasião, no Instagram do Serra News:

Denúncia

Em 04 de junho, vereadores de Nova Friburgo protocolaram documentos com indícios de irregularidades ao Ministério Público, apontando que a Itapemirim não apresentou documentos de ônibus e, quem atestou a capacidade técnica para oferecer o serviço teria sido o próprio dono da empresa. Outro assunto questionado foi o investimento de aproximadamente R$ 65 milhões em 12 meses de concessão, o que deixou autoridades da cidade com ‘uma pulga atrás da orelha’.

Denúncia de possíveis irregularidades na contratação da Viação Itapemirim em Nova Friburgo

Lucro Zero

Já no dia 11 de junho, o secretário de Governo da Prefeitura de Nova Friburgo, Pierre Moraes, ao ser entrevistado no programa Painel, da TV Zoom, sobre o futuro do transporte coletivo no município, disse que o Grupo Itapemirim, escolhido pela prefeitura para assumir a operação das linhas urbanas de ônibus em Nova Friburgo através de um contrato emergencial de um ano, não espera ter lucro na operação. A declaração causou inúmeros comentários nas redes sociais durante o último fim de semana. Na atração, participaram também o ex-diretor da Friburgo Auto Ônibus (Faol) e atual diretor da Rio Ônibus, Paulo Valente, e o professor e ex-vereador, Jorge de Carvalho.

Logo no início do programa, a apresentadora questionou Pierre qual teria sido a “mágica” do Grupo Itapemirim ter apresentado a melhor proposta à prefeitura, inclusive, com valor inferior do atual cobrado pelas passagens e do subsídio mensal a ser pago pela prefeitura. Pierre informou que a nova empresa expôs questões operacionais, que não eram apresentadas pela Faol até então, o que resultará a uma redução no valor das passagens para os usuários. “A Itapemirim está entrando no mercado de transporte público coletivo. Ela vem para Friburgo para projeção de sua própria marca. Nova Friburgo será uma vitrine do serviço urbano da Itapemirim. Eles não estão vindo atrás de lucro. Se fizer o zero a zero está bom”, disse Pierre, causando repercussão.

Durante o programa, o diretor da Rio Ônibus, questionou sobre a sobrevivência financeira da Itapemirim em Nova Friburgo, caso não tenha lucro. “A empresa que está entrando não visa a lucro? Ela vai entrar em recuperação judicial de novo, porque a empresa que não tem lucro, quebra”, observou Valente.

Questionada sobre essa declaração de Pierre Moraes na TV, a prefeitura emitiu uma nota informando ser “evidente que o Grupo Itapemirim, assim como qualquer empresa em qualquer área de atuação, visa, sim, a lucro em suas operações. Na ocasião, o secretário de Governo explicou como seria possível a empresa recuperar investimentos da ordem de R$ 65 milhões num contrato de até um ano de duração, e sua resposta refletiu o que foi dito pela própria empresa. Há mais de um ano a Itapemirim vem anunciando os planos de entrar no mercado de ônibus urbanos. É natural que ela pretenda participar da licitação que será realizada ao término do contrato emergencial, e assim possa estabelecer uma relação de longo prazo com Nova Friburgo. Todavia, a empresa não depende do resultado desta licitação para obter retorno para o investimento que está sendo feito, justamente porque já participa de licitações em outras praças, e parte significativa da estrutura reunida para a prestação do serviço em Nova Friburgo poderia ser realocada e reaproveitada em outros municípios caso o serviço não venha a ser continuado ao término do contrato em caráter emergencial. O que a empresa diz, e que o secretário reproduziu, é que dentro da estratégia montada pelo Grupo Itapemirim, Nova Friburgo cumpre o papel de vitrine do serviço que pretende prestar em diversos municípios brasileiros.”

Viação Itapemirim irá assumir transporte coletivo em Nova Friburgo

Recuperação Judicial

A ITA foi criada no ano passado para ser um braço do grupo Itapemirim no transporte aéreo. O novo negócio surgiu sob desconfiança do mercado, tendo em vista o processo de recuperação judicial enfrentado desde 2016 pelo conglomerado fundado por Camilo Cola em 1953 e vendido para o empresário paulista Sidnei Piva em 2016.

Entretanto, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), esses acontecimentos não influenciaram a certificação da empresa como operadora aérea. “A análise da ANAC é estritamente técnica e considera o cumprimento das normas de aviação vigentes na agência”, esclareceu.

Além do turbulento processo de recuperação judicial, a companhia nasce em meio à maior crise do setor aéreo de todos os tempos, em função da pandemia do coronavírus, que, no último ano, reduziu a demanda por voos no mundo inteiro.

Itapemirim Transportes Aéreos

Com estreia dos voos comerciais prevista para a próxima semana, a Itapemirim Transportes Aéreos (ITA), nova companhia aérea brasileira criada pelo Grupo Itapemirim, tem sido alvo de diversas reclamações de consumidores. Alguns dos voos, para os quais as passagens já haviam sido vendidas, foram cancelados sem explicações. Outras pessoas se queixaram de terem tido os bilhetes remarcados sem aviso.

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Nas redes sociais, clientes que tinham adquirido as passagens têm mostrado insatisfação em relação à postura da empresa, que recebeu, há um mês, a autorização final da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para começar a operar voos comerciais regulares no país.

Em nota, a companhia área informou, nesta segunda-feira (21), que fez uma readequação da malha para o mês de julho, o que exigiu o cancelamento de alguns voos. As mudanças, segundo a empresa, fazem parte do processo estrutural para o lançamento da companhia aérea no mercado nacional.

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