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Sistema previdenciário do RJ acumula rombo de R$ 209 bilhões, aponta relatório

O mais recente relatório de Avaliação Atuarial do Rioprevidência, com base em 31 de dezembro de 2025, aponta um cenário de forte pressão sobre as contas públicas do estado do Rio de Janeiro. O documento revela que o déficit atuarial do sistema chegou a R$ 209,79 bilhões, valor que coloca em risco o pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores inativos e pensionistas.

Segundo especialistas, a combinação do aumento expressivo de beneficiários com a fragilidade estrutural do modelo previdenciário eleva o risco de desequilíbrio de longo prazo, especialmente em um contexto em que o estado depende cada vez mais de receitas voláteis, como os royalties do petróleo.

Plano Financeiro concentra maior rombo

O principal foco de desequilíbrio é o Plano Financeiro, destinado a servidores que ingressaram até 2013. Operando pelo modelo de repartição — em que os trabalhadores ativos financiam os benefícios dos inativos —, o plano acumula um déficit isolado de R$ 212,36 bilhões.

Sem patrimônio próprio, o modelo depende diretamente de aportes do Tesouro estadual e da exploração de petróleo. Especialistas alertam que, diante do envelhecimento da base de servidores, a pressão fiscal tende a aumentar nos próximos anos.

Em contrapartida, o Plano Previdenciário, para servidores que ingressaram após 2013, apresenta superávit atuarial de R$ 2,56 bilhões e patrimônio líquido de R$ 5,69 bilhões. Baseado no regime de capitalização, este modelo é considerado mais sustentável, pois prevê a formação de reservas para o pagamento futuro de benefícios.

Aposentadorias em massa pressionam o sistema

O relatório projeta que 42.240 servidores se aposentarão em 2026, sendo 41.074 apenas no Plano Financeiro — o mais deficitário. O aumento do número de aposentados deve elevar significativamente as despesas previdenciárias, em um momento de fragilidade fiscal do estado.

Outro fator que aumenta os custos é o perfil demográfico do funcionalismo. A predominância de mulheres, que têm maior expectativa de vida, implica pagamentos de benefícios por períodos mais longos, aumentando ainda mais a pressão sobre o fundo.

Dependência do petróleo aumenta vulnerabilidade

Atualmente, a principal fonte de financiamento do sistema são os royalties do petróleo, tornando o equilíbrio das contas sensível às oscilações do mercado internacional de energia. Especialistas consideram essa dependência um dos principais riscos à sustentabilidade do regime.

Investimentos sob investigação e incertezas

O relatório também ocorre em meio a crises recentes no fundo. O investimento de cerca de R$ 1 bilhão em títulos do Banco Master, que sofreu intervenção e liquidação, está sendo investigado pela Polícia Federal por suspeitas de irregularidades. Em janeiro de 2026, o governador Cláudio Castro (PL) exonerou o então diretor-presidente do Rioprevidência em meio à repercussão do caso.

Sustentabilidade do sistema em xeque

Com passivo atuarial bilionário, aumento previsto de beneficiários e forte dependência de receitas externas, o sistema previdenciário estadual enfrenta um cenário crítico, segundo especialistas. O déficit atuarial indica que, sem ajustes estruturais, o estado poderá ter dificuldades crescentes para honrar aposentadorias e pensões nas próximas décadas.

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