Com leitos lotados, hospitais particulares de Petrópolis anunciam colapso

Com leitos lotados, hospitais particulares de Petrópolis anunciam colapso

O aumento no número de pacientes que precisam ser hospitalizados por conta de complicações provocadas pela Covid-19 em Petrópolis, na Região Serrana, já causa colapso em alguns dos maiores hospitais da rede particular da cidade. Representantes dos Hospitais Unimed-Petrópolis e SMH – Beneficência Portuguesa anunciaram nesta sexta (18) que as unidades entraram em colapso, não tendo mais leitos disponíveis para a internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e em leitos clínicos. Os representantes das instituições manifestaram preocupação com o avanço desenfreado dos casos na cidade fizeram apelos à população. Na noite de quarta-feira o presidente da Unimed Petrópolis, Rafael Gomes de Castro, se pronunciou em uma rede social.

“O que eu temia e venho falando nestes últimos dias aconteceu, o hospital Unimed está colapsado neste momento. Não temos mais vaga para internação em enfermaria ou em UTI, para pacientes covid e também não temos mais vaga para internação de pacientes em UTI geral. Estamos programando em 24h abrir leitos específicos de assistência para pacientes com covid, dentro do nosso centro cirúrgico”, anunciou Rafael Gomes, explicando que as cirurgias eletivas não retornarão mais este ano. “Nós continuaremos estruturados para as cirurgias de urgência. É uma situação absolutamente caótica” – disse o presidente da Unimed Petrópolis

Rafael Gomes lembrou que a unidade tem entre os leitos ocupados, um paciente que internado por determinação judicial. “É um caso que veio por determinação da Justiça Estadual, veio do Rio de Janeiro. Espero que este colapso seja temporário. Estamos na luta, porque o negócio está sério, a situação está grave” alerta.

Na tarde desta sexta (18), o Hospital SMH – Beneficência Portuguesa de Petrópolis informou que está com 100% de ocupação dos leitos de UTI e clínicos para Covid .

“O que acontece hoje no Estado do Rio de Janeiro e em Petrópolis é um verdadeiro caos. A situação é extremamente mais grave do que a de maio e junho. Não cabe discutir se foi problema de gestão, seja de órgãos de saúde federais, estaduais ou municipais. O fato é que, infelizmente, é muito mais comum que o óbito do paciente chegue mais rápido do que a abertura de uma vaga para internação. Nenhum paciente que precise terá vaga para internação hoje. Não é o caso de esperar providência de governo algum. É usar o bom senso e se isolar”, pontua o diretor executivo operacional do Hospital SMH – Beneficência Portuguesa de Petrópolis Fernando Baena.

Na avaliação de Baena a conscientização individual é fundamental para reduzir a circulação de pessoas nas ruas e conter a transmissão do vírus.

“É preciso parar de ir à rua, parar de entrar em loja, parar de almoçar em restaurante. Essa doença é transmitida através de um talher contaminado. O da sua casa você sabe quem lavou, o do restaurante pode ter sido por um funcionário contaminado e que está assintomático. Há semanas a cidade de Petrópolis devia estar em lockdown. Quanto antes isso acontecer, mais vidas serão salvas. A saída é a conscientização individual. Não precisa esperar o órgão público decretar o ‘fechamento’, faça você mesmo. Não saia de casa. Isso só não vale para quem trabalha em atividades essenciais, como os próprios hospitais, onde as pessoas são obrigadas a se expor aos riscos para salvar outras vidas. Estamos em colapso. Façamos todos a nossa parte”, apela.

O Hospital Santa Teresa não divulgou o percentual referente a taxa de ocupação de leitos, informando apenas que 61 pacientes com sintomas de covid encontram-se internados na unidade – nove, cujos casos já foram confirmados, são tratados em Unidades de Terapia Intensiva (CTIs) e outros 52 ocupam leitos clínicos, sendo 47 deles casos confirmados de covid-19 e outros cinco em rastreio.

Questionada pela redação em relação às medidas que vem sendo adotadas para conter o avanço de contágio da covid-19 a prefeitura emitiu a seguinte nota:

“A prefeitura intensificou as ações de monitoramento e testagem em massa da população, com exames realizados pelas equipes de saúde em pontos fixos e de casa em casa. Ações de desinfecção de locais públicos, como ruas e pontos de ônibus também foram intensificadas, bem como higienização rigorosa de ônibus e mensagens através de carros de som pedindo a colaboração da população no enfrentamento da doença. Vale lembrar, também, que a população precisa estar consciente sobre a pandemia e que as medidas de prevenção não podem ser deixadas de lado. Nesta quinta-feira, o prefeito Bernardo Rossi e o vice-prefeito Baninho estiveram no Instituto Butantan numa reunião para a assinatura de intenção de compra de 200 mil doses da vacina contra a covid-19. Amanhã a prefeitura retoma as testagens em massa na cidade”, diz a nota enviada pela Coordenadoria de Comunicação da prefeitura.

Jaqueline Ribeiro / Diário de Petrópolis

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