Dia do Meio Ambiente: Conheça o Cambucá, árvore símbolo de Cantagalo

Apesar de ser árvore símbolo de um município, fazer parte de uma cantiga popular e produzir um fruto muito apreciado pelos que já o saborearam, o Cambucá é desconhecido da maioria dos brasileiros, aparecendo na lista das espécies em extinção. Árvore nativa da Mata Atlântica, possui propriedades alimentícias e poderes medicinais podendo ainda ser industrializada e servir de reflorestamento para recuperação ambiental.

Seu nome científico é Plinia edulis (antiga Marlieira edulis), da família da Myrtaceae e pode ser encontrada desde Santa Catarina até o Rio de Janeiro. Da mesma família da jabuticabeira, o fruto do cambucazeiro brota diretamente no caule, possuem a cor amarelo-alaranjada e seu formato é arredondado e levemente achatado nos pólos. Ela é identificada como uma árvore clímax pelo fato de crescer à sombra e demorar mais tempo para se desenvolver. Além disso, ela mantém suas folhas durante o ano todo e seu tamanho chega de 5 a 12 m de altura.

A partir da Lei Municipal 605/2003, foi transformada em árvore símbolo do município de Cantagalo, no estado do Rio de Janeiro, numa tentativa de preservá-la. Considerada uma raridade da Mata Atlântica, é uma espécie em extinção e sua presença, hoje, está restrita aos quintais domésticos, daqueles que o conhecem e apreciam seu fruto.

O principal motivo de ser o cambucá árvore símbolo de Cantagalo, segundo a ambientalista Fabiana Corrêa, reside na relação histórica, impregnada de simbolismo, entre a cidade e a Reserva dos Cambucás. Nos primeiros anos do século XX Cantagalo sofreu um surto de febre amarela e grande parte da população foi dizimada. Algumas famílias, detentoras de mais posses, abandonaram suas casas na cidade buscando cidades onde pudessem ficar a salvo da doença. Foi um período de grande sofrimento coletivo que formou uma cicatriz na história da cidade.

Para que a cidade pudesse reerguer-se e as famílias pudessem retornar aos seus lares, o poder público da época tomou uma série de medidas de saneamento, seguindo os modelos propostos pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz na cidade do Rio de Janeiro. Entre as medidas adotadas estava a captação e canalização da água – abundante e de boa qualidade – da Bacia dos Cambucás, para ser distribuída para toda população. 

As obras ficaram prontas em 1904 e a água da Bacia dos Cambucás foi utilizada pela população até a década de 60, quando a água passou a ser fornecida pela CEDAE. Além da captação da água da Bacia para garantir o consumo de água de boa qualidade, foi construído um sistema de dique no córrego São Pedro (que corta a cidade), na altura da atual rua Maria Zulmira Torres, a fim de controlar o volume de água no mesmo, evitando a formação de poças que favoreceriam a proliferação do mosquito transmissor do vírus causador da moléstia.

Desta forma, a simbologia do cambucá está associada à resistência e recuperação da cidade em determinado período histórico marcado pelo sofrimento da população. Apesar do registro da ocorrência endêmica do cambucá no município, a relação do cambucá com a história local foi determinante para que ele fosse adotado como árvore símbolo da cidade. 


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