Afastamentos por saúde mental superam 546 mil e batem novo recorde no Brasil
Foto: Divulgação / iStock O Brasil voltou a bater recorde no número de afastamentos do trabalho por transtornos mentais. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2025, mais de 546 mil licenças foram concedidas por problemas de saúde mental, o maior número da última década e acima do já preocupante índice registrado em 2024.
Ao todo, o país contabilizou mais de 4,1 milhões de afastamentos por incapacidade temporária em 2025, alta de 17,1% em relação ao ano anterior. Os transtornos mentais passaram a ocupar posição de destaque entre as principais causas, consolidando um cenário de adoecimento crescente da força de trabalho brasileira.
Entre os diagnósticos, ansiedade e depressão lideram. Somados, eles já representam o segundo maior motivo de afastamento do trabalho no Brasil, ficando atrás apenas das doenças relacionadas à coluna. Em 2025, foram 166.489 afastamentos por ansiedade e 126.608 por depressão, um crescimento de 15% em comparação com 2024.

No Estado do Rio de Janeiro, os números também chamam atenção. Foram 41.997 afastamentos por transtornos mentais ao longo do ano, colocando o estado na quarta posição do ranking nacional em números absolutos, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Especialistas alertam que o dado reflete não apenas o tamanho da população, mas também as condições de trabalho e os impactos sociais acumulados nos últimos anos.
Apesar de dores nas costas e problemas de coluna ainda liderarem o total de licenças — com destaque para a dorsalgia, que somou 237.113 afastamentos no país —, o avanço das doenças mentais vem mudando o perfil dos afastamentos. Transtornos como bipolaridade, dependência química, estresse grave, esquizofrenia e alcoolismo também apresentaram crescimento em 2025.
Especialistas apontam que o cenário é resultado de fatores estruturais. Vínculos precários, jornadas extensas, pressão por produtividade e constantes mudanças tecnológicas têm contribuído para um quadro de estresse crônico entre os trabalhadores. Para o psiquiatra Arthur Danila, da USP, os números refletem apenas parte do problema, já que licenças curtas e trabalhadores informais não entram na conta.
O impacto financeiro também é significativo. Com base em estimativas do INSS, o custo dos afastamentos por saúde mental pode ter chegado a R$ 3,5 bilhões em 2025, considerando uma média de três meses de licença e benefício mensal de cerca de R$ 2.140 por trabalhador.
Mesmo com a discussão sobre incluir a saúde mental entre os itens fiscalizados no ambiente de trabalho, por meio da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), a medida segue adiada após pressão do setor empresarial. Especialistas alertam que, sem mudanças efetivas, a tendência é de continuidade no crescimento dos afastamentos.
No recorte proporcional à população, estados como Santa Catarina, Rio Grande do Sul e o Distrito Federal apresentam as maiores taxas de afastamento por transtornos mentais. Já no Norte e em parte do Nordeste, os índices são menores, o que não significa ausência do problema, mas possíveis barreiras de acesso ao diagnóstico e ao afastamento formal.
O cenário reforça o alerta: a saúde mental deixou de ser um tema secundário e passou a ocupar lugar central no debate sobre trabalho, políticas públicas e sustentabilidade do sistema previdenciário no Brasil.
Ver essa foto no Instagram






