Severino Silva e Cacau Fernandes falam sobre fotojornalismo em Cordeiro

Severino Silva e Cacau Fernandes ensinam sobre fotojornalismo em Cordeiro

Esteve no município de Cordeiro, na Região Serrana, neste domingo (03/11) um dos melhores fotojornalistas brasileiros da atualidade, Severino Silva, acompanhado da renomada também fotojornalista Cacau Fernandes.

Eles mostraram seus belos trabalhos na mídia brasileira e falaram sobre suas experiências e técnicas no fotojornalismo, além de sugerirem ideias aos fotógrafos e jornalistas presentes no evento promovido pelo Retrovisor Fotoclube, através da advogada e fotógrafa Renata Martins Oliveira.

A agradável reunião aconteceu no Centro Cultural Ione Pecly, em Cordeiro, e arrecadou alimentos não perecíveis para a instituição Fotógrafos do Bem, no Rio de Janeiro. O Retrovisor Fotoclube é um grupo de fotógrafos formado por jovens cordeirenses que vem ocupando espaço no cenário fotográfico da Região Serrana.

Além de fotógrafos de Cordeiro e cidades serranas circunvizinhas, estiveram participando o jornalista e apaixonado por fotos José Ricardo Pinto (Jornal Ponto de Vista) e o jornalista digital Iago Guimarães (Portal Serra News).

fotojornalistas Severino Silva e Cacau Fernandes no fotojornalismo em Cordeiro junto com Gabriel Monnerat e Iago Guimarães

“Foi uma grande honra estar reunido com essa turma que almeja o melhor para suas cidades através de incríveis registros fotográficos. Com o imediatismo da tecnologia, hoje temos muitas imagens que geram poluição visual circulando, mas carecemos das incríveis fotografias desses profissionais”, comentou Iago.

Renata, responsável pelo Retrovisor Fotoclube, destaca a importância de eventos como este para o município e para a capacitação dos jovens da área. “Nossa família recebeu um presente. Ter Severino Silva e Cacau Fernandes conversando com a gente mudou a nossa concepção. Nossa fotografia nunca mais será a mesma. Eventos como esse só aumentam a nossa paixão pela arte de fotografar e o desejo de fomentar em nossa região esse amor que nos move: fotografar.”

Sobre Severino Silva

Severino Silva nasceu no dia 20 de agosto de 1958 em Pirpirituba, interior da Paraíba, casado com uma carioca que é mãe de seus três filhos. Aos 10 anos vem para o Rio de Janeiro com a mãe, avó e uma irmã. Era uma criança que gostava muito de desenhar, mas sua paixão pela fotografia começa quando ganhou de presente uma velha Kodak126, mas ficava muito angustiado, o laboratório só entregava as fotografias depois de três dias, para ele quase uma eternidade.

Aos dezesseis anos consegue um trabalho no jornal O Globo como contínuo e vai depois para a Fotomecânica, mas seu sonho era ser fotógrafo. Passa então a frequentar vários cursos de fotografia, entre eles o do Liceu de Artes e Ofícios e os cursos do Senac. Começa a trabalhar como fotógrafo freelancer em jornais de bairro de O Globo. Depois foi para O Fluminense, Povo do Rio, A Notícia e O Dia, onde permaneceu até recentemente.

Severo para os mais chegados, é acima de tudo um humanista que no seu ofício não se limita a exaltar as belezas e a realidade do Rio de Janeiro, mas mergulha no dia a dia dos despossuídos com suas dificuldades, seus desafios, suas mazelas e através de sua câmera faz um registro sem filtragem, nem photoshop do cotidiano da violência que atormenta a todos os cariocas.

Em setembro de 1992, no jornal o Povo do Rio, ao apurar uma denúncia que no Parque Fluminense, em Duque de Caxias, tinham “despachado” uma cabeça humana em um campo de futebol, Severino talvez tenha realizado a foto mais polêmica de sua trajetória e que provocou acalorados debates sobre o papel da imprensa na banalização da violência urbana, Severino acompanhou o trabalho dos peritos e comprovou que era verdade.

No campo de futebol do time Rodo, a cabeça de um homem depois de decepada foi colocada entre duas velas e crianças jogavam futebol, se divertiam como se nada tivesse acontecido. Essa fotografia ganhou destaque internacional, correu o mundo, foi republicada pela revista francesa Photo e foi destaque em um debate no Sindicato dos Jornalistas quando do “Projeto Quartas Visuais” em que Severino e Léo Corrêa projetaram seus trabalhos tendo como foco a Violência Urbana.

Detentor de diversas premiações nacionais e internacionais como o “Prêmio Tim Lopes” 2014 e o “Prêmio Nikon” 1992, já expôs seu trabalho tanto no Brasil quanto na Dinamarca e na Alemanha. Severino Silva foi apontado pelo jornal The Guardian como um dos melhores fotojornalistas brasileiros da atualidade.

Sobre Cacau Fernandes

Cacau Fernandes é fotógrafa e fotojornalista obstinada pelo resgate de manifestações culturais esquecidas ou desconhecidas e manifestações de fé, de uma ponta a outra do Brasil. É graduada em Fotografia pela Universidade Estácio de Sá e pós-graduada na mesma instituição em Imagem Digital.

Em 2014, foi indicada ao Prêmio Esso e teve suas imagens publicadas nos anuários “O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro”, em 2014, 2015, 2016 e 2017. Trabalhou no Jornal O Dia por cinco anos e teve fotos suas estampadas na Revista Veja e Jornais O Estado de São Paulo, Meia Hora e Brasil Econômico. Idealizou e fundou o Espaço Cultural Evandro Teixeira, na Universidade Estácio de Sá, no Campus Rio Comprido, no Rio de Janeiro.

Conta em sua bagagem diversas exposições culturais no qual é protagonista e exibe seus belíssimos trabalhos, sempre destacando a diversidade cultural do Brasil. Ela também trabalhou registrando e mostrando para o mundo o Carnaval do Rio. Em 2019, a fotógrafa abriu um belíssimo projeto e estreou sua exposição individual “Ancestralidades Contemporâneas”, no Centro Cultural da Light, no Rio de Janeiro.

Trata-se de uma verdadeira viagem ao nosso folclore, às nossas tradições e festas populares, de uma maneira bem diferente daquela normalmente apresentada nos livros didáticos. As imagens transportam os visitantes da exposição ao mundo mágico daquelas festas folclóricas e mostra o talento e as técnicas da artista em seus detalhes, suas cores e na profunda simbologia de algumas fotos. (Confira o trabalho)

“Olhando as minhas fotos que retratavam o carnaval e outras festas afro-brasileiras, surgiu o conceito ancestralidade. E a jornalista Cristina Chacel sugeriu o nome ‘Ancestralidades Contemporâneas’, aceito na hora. Os mesmos amigos se juntaram para viabilizar financeiramente a exposição, não há qualquer verba de lei de fomento ou de editais. As fotos foram feitas ao longo de cinco anos. Fui a essas festas com os fotógrafos consagrados Severino Silva e Alex Ribeiro, em um projeto junto a um fotógrafo chinês da Cannon. Este é o resultado”, conta Cacau.