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Cantagalo desapropria área por R$ 736 mil para “zona de negócios” sem empresas interessadas

A Prefeitura de Cantagalo desapropriou, por R$ 736 mil, um terreno de 54 mil m² na localidade da Aldeia, às margens da RJ-160, com o objetivo de implantar a chamada “Zona Especial de Negócios”. É importante destacar que a área não corresponde ao Palacete do Gavião. A proposta é atrair empresas e impulsionar o desenvolvimento econômico do município.

De acordo com o governo municipal, o local foi escolhido por sua posição estratégica, próximo ao acesso para Sete Quedas e com fácil ligação viária, sendo considerado adequado para receber investimentos de médio e grande porte. A expectativa é que, em etapas futuras, o projeto possa demandar aportes milionários em infraestrutura e preparação da área.

No entanto, o plano contrasta com a realidade atual de Cantagalo. Em meio a um cenário de retração econômica, o comércio local enfrenta dificuldades para se manter ativo. No centro e nos distritos, comerciantes relatam ruas vazias, baixo fluxo de consumidores e o fechamento de lojas — um retrato que tem gerado preocupação silenciosa entre empresários.

Diante desse contexto, a criação de uma nova zona de negócios, ainda sem planejamento consolidado, levanta questionamentos. Empresários ouvidos pela reportagem veem a iniciativa como positiva, mas defendem que, antes de apostar em um polo que vai demandar altos investimentos, o município deveria priorizar ações mais imediatas, como o fortalecimento do comércio local, com incentivos fiscais, apoio aos pequenos empreendedores e medidas integradas para aumentar a circulação de consumidores na cidade.

Prefeitura responde a questionamentos

Diante do Decreto nº 4.461/2026, a reportagem encaminhou questionamentos à Prefeitura de Cantagalo para esclarecer pontos centrais do projeto, como: o valor total do investimento, as etapas de implantação, a existência de cronograma, o interesse de empresas, a previsão de empregos, estudos de viabilidade e possíveis ações paralelas para fortalecer o comércio local.

Sem apresentar dados precisos, a assessoria de comunicação informou que o projeto ainda está em fase inicial de estruturação e que o imóvel segue em processo de desapropriação. Segundo a administração municipal, essa condição impede, por ora, a realização de estudos técnicos mais aprofundados, que só deverão ocorrer após a regularização da área.

Área demarcada em imagem aérea.
Área desapropriada na Aldeia, às margens da RJ-160. 

A Prefeitura também confirmou que não há, até o momento, empresas interessadas ou em negociação para instalação no local. “Não há estimativa formal neste momento, considerando que tal projeção depende diretamente do perfil das empresas que vierem a se instalar no local” — informou.

Além disso, não existe estimativa de investimento total, cronograma definido para execução das obras ou projeção de geração de empregos — pontos que, segundo o próprio município, dependem de estudos futuros e do perfil dos empreendimentos que venham a ser atraídos. “Os estudos técnicos específicos serão elaborados após a efetiva disponibilidade da área, garantindo que as análises sejam realizadas com base em dados concretos e precisos” — disse a pasta.

Ainda de acordo com a administração, as próximas etapas incluem a elaboração de estudos técnicos e ambientais, o licenciamento, a implantação de infraestrutura e, posteriormente, ações de prospecção de empresas — o que pode levar anos. Os incentivos fiscais e administrativos também deverão ser definidos futuramente, por meio de regulamentação específica.

Ainda sem planejamento detalhado, o projeto segue, por ora, restrito ao campo burocrático. Sem projeções e sem interessados até o momento, a proposta é vista como positiva para a municipalidade. A Prefeitura afirmou, por fim, que “o Município mantém atuação contínua na atração de investimentos e no fortalecimento da economia local”.

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