O relato da chef de sushi Beatriz Suzuki, diagnosticada com câncer de intestino aos 25 anos, evidencia uma tendência global preocupante: o câncer entre jovens aumentou cerca de 80% nas últimas três décadas, segundo dados apresentados durante o XXVI Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica (SBOC). O crescimento atinge adolescentes e jovens adultos de 15 a 39 anos, muitas vezes sem histórico familiar da doença.
Beatriz começou a apresentar sintomas ainda aos 22 anos, mas demorou a buscar ajuda médica por não imaginar que pudesse enfrentar um câncer tão jovem. O diagnóstico tardio reforça um dos principais desafios apontados por especialistas: a baixa percepção de risco e a dificuldade no diagnóstico precoce do câncer nessa faixa etária.
Aumento de câncer em jovens preocupa especialistas
Dados internacionais indicam que o aumento de câncer entre jovens ocorre, em grande parte, de forma esporádica — ou seja, sem relação genética direta. Estima-se que 85% a 90% dos casos não estejam associados à hereditariedade, contrariando a ideia de que a doença em pessoas jovens esteja quase sempre ligada a fatores genéticos.
Segundo a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, hábitos modernos estão entre os principais fatores de risco para o aumento de câncer em jovens, como sedentarismo, obesidade, alimentação inadequada, consumo precoce de álcool e o retorno do tabagismo por meio de cigarros eletrônicos e vapes.
“Esses fatores estão diretamente relacionados a diversos tumores, incluindo câncer colorretal em jovens, câncer de mama e câncer de endométrio”, explica o oncologista Dr. Cristian Resende, diretor da SBOC.
Tipos mais comuns de câncer entre jovens
No Brasil, os quatro tipos de câncer com maior incidência entre adolescentes e jovens adultos são: câncer de mama, câncer de colo do útero, câncer de tireoide e câncer colorretal. Dados do INCA mostram que a incidência mediana de câncer entre jovens no país é de 23,4 casos a cada 100 mil habitantes.
O câncer colorretal em jovens é um dos que mais cresce e frequentemente apresenta diagnóstico tardio, pois sintomas iniciais costumam ser ignorados ou confundidos com problemas intestinais comuns.
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Importância da prevenção e do diagnóstico precoce
Especialistas reforçam que investir em prevenção do câncer em jovens é essencial para frear o avanço da doença. A adoção de hábitos saudáveis, a prática regular de atividade física e o acompanhamento médico são apontados como medidas fundamentais.
Além disso, o diagnóstico precoce do câncer aumenta significativamente as chances de cura, especialmente em tumores agressivos, como o câncer de mama em mulheres jovens. Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda o início do rastreamento com mamografia a partir dos 40 anos para mulheres com maior risco.
Desafios no atendimento a adolescentes e jovens adultos
Outro ponto destacado no congresso foi a dificuldade na transição entre a oncologia pediátrica e a oncologia adulta. Especialistas alertam para um “vácuo assistencial” que pode atrasar diagnósticos e comprometer o tratamento de jovens entre 18 e 25 anos.
“Ainda não existe, no Brasil, um modelo estruturado de atendimento específico para essa população”, afirmam especialistas da área.
Ressignificando a experiência com a doença
Hoje em remissão, Beatriz Suzuki usa sua história para conscientizar outros jovens sobre a importância de não ignorar sintomas e buscar ajuda médica. Seu caso reforça o alerta dos especialistas: o aumento de câncer entre jovens é uma realidade e exige informação, prevenção e atenção aos sinais do corpo.
Fonte: Medscape






