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Igreja Matriz de São Fidélis será elevada à categoria de Santuário em 2022

Em 24 de abril de 2022, quando serão completados 400 anos da morte de São Fidélis de Sigmaringa, a Igreja Matriz de São Fidélis será elevada à condição de Santuário. A informação foi confirmada pelo bispo titular da Diocese de Campos, Dom Roberto Francisco Ferrería Paz, e pelo pároco Maxwell Santos de Almeida. A reportagem é do jornalista Matheus Berriel.

— Nos 400 anos do martírio de São Fidélis, é importante elevar a Igreja Matriz de São Fidélis à dignidade de santuário, sendo uma referência deste santo e da importância das causas que ele assumiu: a catequese, o diálogo com os afastados, a Pastoral do Retorno, a nova evangelização em si — afirma Dom Roberto Francisco.

Segundo o bispo da Diocese de Campos, que também abrange o município de São Fidélis, a elevação a santuário tem significados simbólicos dentro da tradição católica.

— Primeiro, um santuário é lugar de memória de acontecimentos ligados a ele. Por exemplo, a memória justamente de São Fidélis de Sigmaringa. Esta é uma das poucas paróquias que guardam essa memória importante para o diálogo ecumênico. Há uma importância de partilhar a fé e buscar a unidade dos cristãos. Além disso, o santuário é um lugar de evangelização do povo peregrino que vai conhecer essa memória, procura a intercessão do santo e procura viver a fé cristã com esta referência. Ainda, o santuário é o lugar da graça, do sacramento, o lugar do retorno de muitos católicos que estavam afastados. E não podemos deixar de sublinhar a importância do santuário como experiência de romaria, de peregrinação de fé, experiência de sair do conforto de casa para assinar uma busca de Deus, uma busca de sentido. O santuário é o lar da vivência cristã e da devoção, entendendo a devoção como aquilo que nos lembra a Páscoa de Cristo e a plenitude, isto é, buscar a santidade, buscar a inteireza que todo ser humano tem — enfatiza Dom Roberto.

Matriz de São Fidélis

A monumental Igreja em louvor a São Fidélis de Sigmaringa, mártir franciscano, teve início em 1799, orientada pêlos monges construtores, frei Vittório de Cambiasca, frei Angelo de Lucca e frei Thomaz Civitta de Castella e aberta ao culto em 1809. Em tomo da Igreja foram erguidas 40 rústicas choupanas.

A obra da Igreja, sempre interrompida em época de moagem da cana-de-açúcar, foi sustentada com taxas cobradas sobres às terras da aldeia de Santo António de Guarulhos (Campos dos Goytacazes), já ocupadas por brancos, mas que antes haviam sido dos índios. Colaboraram com a obra várias famílias de Campos e fazendeiros com terras próximas à Aldeia que cooperaram com escravos, bois, mestre de obra, oleiros, serralheiro e dinheiro.

O monumental templo chamou a atenção pela grandiosidade da obra, principalmente pela sua cúpula. Em linhas arquitetônicas de reflexo italiano, de gosto toscano em sua construção em cruz. O barroco italianizado predominou na colônia durante o governo de D. João V em Portugal, na primeira metade do século XVIII, quando as paredes ganharam curvas, as volutas apareceram nos frontispícios. Nas talhas, os retábulos utilizavam novos ornamentos como o baldaquino e a coluna salamônica. As esculturas ganharam maior leveza e nos forros do teto foram empregadas pinturas em perspectiva ilusionista.

Igreja Matriz de São Fidélis de Sigmaringa

Curiosamente, seu campanário, separado do corpo da Igreja Matriz de São Fidélis e sua fachada, que reflete a transição do renascimento para o barroco, parece terem sido inspirados; o primeiro na catedral de “Santa Maria Del Fiore” em Florença e o segundo na “Igreja de Jesus em Roma , sendo esta uma construção jesuíta.

O major Henrique Luiz de Niemeyer Belegard, engenheiro do Império, esteve em Campos em 1837, objetivando levantamentos para obras de melhorias no município, principalmente nas estradas e drenagem das áreas alagadiças. Indo a São Fidélis, se encantou com a grandiosidade do templo para um lugar tão simples. Pede então em relatório, a atenção do Governo Provincial para a restauração “dessa interessante Igreja” que se encontrava abandonada e em ruínas. Nele Bellegard explicou que os padres usaram o saibro, espécie de argila da região, misturada a pequenas quantidades de cal e areia para fazerem o altar, a pia batismal e os tijolos de 3 palmos de espessura. Mas as obras de restauração só foram iniciadas por volta de 1845, depois da Igreja ter sido elevada a Matriz, tendo sido concluída em 1852. Mesmo assim as obras não foram completas e radicais, logo voltando a apresentar rachaduras que provocaram novos estragos.

Provavelmente a maior reforma já executada foi a partir de 1962, realizada sob a orientação do Dr. Ruy Seixas, com recuperação das abóbadas, colocação de vitrais e painéis de azulejo em substituição a pintura de fundo do altar principal, e embora tenham descaracterizado o templo em sua fachada, conseguiram manter quase intacta a área interna e a Igreja pôde resistir como marco da arquitetura brasileira.

Padroeiro

Originalmente batizado como Markus Rey, São Fidélis nasceu em 1577, na cidade alemã de Sigmaringa. Filósofo e advogado, renunciou a vida profissional para se dedicar à fé cristã, seguindo a ordem dos Capuchinhos. O nome “Fidélis”, inclusive, tem relação com a sua fidelidade a Deus. Após estudar teologia e ser ordenado presbítero, foi enviado à Suíça, onde se notabilizou pelas pregações durante as campanhas da Contra-Reforma.

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