Em 1964, um avião com 39 passageiros se chocou no Pico do Caledônia

Em 1964, um avião com 39 passageiros colidiu no Pico do Caledônia

No dia quatro de setembro de 1964, um acidente causaria grande impacto na população da Região Serrana do Rio. Um avião Vickers Viscount, que realizava o voo Vasp 141, se chocou no lado oeste do Pico do Caledônia, por volta das 16h30 daquela sexta-feira. O avião havia decolado do aeroporto dos Guararapes, em Recife, e tinha como destino Congonhas, em São Paulo.

À medida que o tempo passava, iam chagando detalhes do ocorrido. Na época, o acesso a Pedra do R — provável lugar do choque da aeronave — era dificílimo, pois não havia ainda as trilhas de hoje — só era possível chegar ao local embrenhando-se na mata. No momento do acidente, muitos viram o clarão da batida, enquanto outros ficaram sabendo momentos depois através do boca a boca. Alguns cidadãos de Nova Friburgo, inclusive, enfrentaram a subida para averiguar in loco o ocorrido.

Pessoas de boa vontade se organizaram, logo, em equipes de resgate, na esperança de prestar algum socorro, mas só encontraram corpos mutilados, dilacerados, em pedaços, pelo chão. Em meio aos abnegados, muitos inescrupulosos subiram a montanha, com a finalidade de saquear os pertences das vítimas.

O sinistro se deu, na época, dos preparativos da Festa da Cerveja. Seus organizadores não sabiam como proceder, se suspendiam ou não o evento. Mas, naquele tempo, ele tinha um renome nacional (como a Oktoberfest de Blumenau, nos dias atuais). Era uma festividade grandiosa, que trazia muitos turistas de diversas regiões do Brasil, fazendo parte do calendário turístico de nossa cidade. Diante de circunstâncias tão prementes, não houve outra alternativa, a não ser realizar a famosa Festa da Cerveja.

Montanhistas encontram destroços

Em 1964, um avião com 39 passageiros colidiu no Pico do Caledônia

O montanhista friburguense Valmir Tavares, que há mais de 20 anos sobe o Pico da Caledônia para passear entre as matas e averiguar se a área está sendo preservada, encontrou no dia 13 deste ano, mais vestígios do acidente com o voo Vasp 141 – avião Vickers Viscount.

No dia 27 de janeiro de 2019, o mesmo montanhista já havia encontrado outros vestígios do trágico acidente. Mas, Valmir diz que encontrou vários vestígios da aeronave no local. “Vimos partes dos destroços com o nome do avião, pedaços de metais, e também encontramos palmilhas de sapato, meias, pedaço de pia e vaso sanitário.”

Motivo do acidente

Nunca ficou exatamente confirmado o que levou o avião a chocar-se com o Caledônia, mas há informações do Aviation Safety Work — portal americano sobre acidentes aéreos. A a aeronave decolou da parada em Vitória, no Espírito Santo, às 15h30, e estabeleceu cruzeiro à altitude de 1800 metros.

Por volta de 16h30, a tripulação fez o informe dizendo que estava sobrevoando Rio Bonito, porém, o avião estava sobre Nova Friburgo, a 43 quilômetros de Rio Bonito e a 35 de sua rota original. A aeronave chocou-se no lado oeste do Pico do Caledônia a aproximadamente 1.950 metros de altitude — cerca de 300 metros abaixo do pico da montanha, portanto.

A comissão investigadora divulgaria na época a única conclusão possível: “Colisão com obstáculo localizado 35 km a direita da rota por razões indeterminadas”. O inquérito fora muito prejudicado pelo estado em que ficaram os destroços do acidente, uma vez que o avião foi reduzido a pequenos fragmentos.

Outro motivo que poderia ter causado o acidente foi a opção da tripulação de voar a seis mil pés, indicando um possível problema com a pressurização. A altitude era adequada à rota, porém não ao desvio que acabou sendo feito. Em condições normais, um avião pressurizado como o Viscount voava, geralmente, na altura de 12 mil a 16 mil pés de altitude.

A colisão do Vickers Viscount

O avião fazia o voo Vasp 141 – de Recife a São Paulo, com escalas em Aracaju, Salvador, Vitória e Rio de Janeiro, e colidiu com o pico do Caledônia por volta das 16h30 do dia 4 de setembro de 1964.

O avião se chocou no lado oeste do Pico do Caledônia, a cerca de 1.950 metros de altitude, deixando 39 mortos e óbito de um oficial de salvamento. Na época, o resgate foi feito pela Marinha e pela Força Aérea Brasileira (FAB).

Sobre o Pico da Caledônia

O Pico da Caledônia é a segunda maior montanha de Nova Friburgo com 2.257 metros de altitude. Possui uma das mais belas vistas do município e de outras localidades, como a Baía da Guanabara e uma parte da cidade do Rio de Janeiro. O local é sede para torres de transmissão de rádio, responsáveis pelas comunicações da Petrobrás, e atrai muitos montanhistas. Pois é uma das maiores elevações da Serra do Mar.

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