Há nove anos, chuva devastava a Região Serrana na tragédia climática de 2011

Há nove anos, chuva devastava a Região Serrana na tragédia climática de 2011

Há nove anos, no dia 11 de janeiro de 2011, a Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro era devastada pela chuva que culminou na tragédia climática de 2011, a maior do país. Foi a maior catástrofe ambiental do Brasil, somando mais de 918 mortes, 200 desaparecidos e 20 mil desabrigados.

Em todo mês de janeiro, a lembrança da tragédia e as chuvas fortes causam medo a boa parte friburguenses. Mas o que explica o dilúvio que se abateu sobre Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis e Itaipava em janeiro de 2011?

Levantar um mapa preciso para a tragédia da região serrana é praticamente inviável. Na maioria das localidades vitimadas, moradores e veranistas dormiam. Quem se salvou não teve tempo de olhar o relógio. Com pequenas diferenças de horário, regiões relativamente distantes entre si foram atingidas por chuva pesada, deslizamentos de lama e rios que enchiam rapidamente.

A filial friburguense da Cruz Vermelha Brasileira, que atende toda a Região Serrana, surgiu de forma espontânea, logo após a tragédia climática de 2011 da Região Serrana, quando cerca de 150 voluntários treinados vieram de todo o Brasil e até mesmo do exterior para atuar no socorro às vítimas. Na época, arregimentaram rapidamente os braços disponíveis: nas igrejas, associações de moradores, jipeiros, motociclistas.

Pois a tragédia foi causada por um fenômeno raro que combina fortes chuvas com condições geológicas específicas da região. Porém, ela foi agravada pela ocupação irregular do solo e a falta de infraestrutura adequada para enfrentar o problema, que se repete todos os anos no país.

O número de vítimas superou o registrado em Caraguatatuba, em 1967. Na época, tempestades e deslizamento de terra mataram 436 pessoas na cidade do litoral norte de São Paulo. Nesse mesmo ano, uma enchente deixou vários mortos no Rio.

Tragédia climática

Na madrugada do dia 12 de janeiro de 2011, uma enxurrada de toneladas de lama, pedras, árvores e detritos desceu a montanha arrastando tudo pelo caminho. Os rios se encheram rapidamente, inundando as cidades.

A destruição foi maior nas cidades Nova Friburgo e Teresópolis, que contabilizam o maior número de mortos. Essas cidades turísticas recebem visitantes na temporada, que aproveitam o clima ameno da serra.

Ruas foram cobertas por um mar de lama, com corpos espalhados, casas destruídas e carros empilhados. Pois a queda de pontes em rodovias deixou cidades isoladas, e os moradores ficaram sem luz, água e telefone.

Tragédia climática de 2011 na Região Serrana RJ

Em Nova Friburgo, o rio subiu mais de cinco metros de altura e a enchente derrubou casas. Em Teresópolis, o cenário era devastador. Condomínios, chácaras, pousadas e hotéis de luxo foram arrasados pelas avalanches de terra.

A estrutura de atendimento às vítimas entrou em colapso. O IML (Instituto Médico Legal) e os cemitérios ficaram lotados. Parentes das vítimas tiveram que fazer enterros às pressas em covas rasas. A tragédia climática de 2011 da Região Serrana foi a maior do país.

Uma das imagens mais impressionantes foi a de uma mulher sendo salva da inundação. Ela foi içada por uma corda do alto de um prédio, enquanto o cachorro que trazia nos braços era arrastado pela enxurrada.

Número de mortos distorcido

O número de vítimas, entre mortos e desaparecidos, da maior tragédia na Região Serrana do Rio, em 2011, pode ser superior ao registrado na época. Segundo o Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH) de Petrópolis e associações das vítimas, entre outras entidades de Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis, cerca de 10 mil pessoas podem ter morrido ou desaparecido nas chuvas que atingiram a região naquele ano.

Os dados oficiais do Governo do Estado apontam 918 mortos, e o Ministério Público Estadual, 200 desaparecidos. Mas a suposta subnotificação de mortes foi identificada através de relatos de pessoas que moravam nas áreas atingidas e que não conseguiram oficializar a perda de parentes.

Tragédia climática de 2011 na Região Serrana RJ

Além do relato de parentes, as entidades levam em conta a divergência entre o número computado de mortos em determinadas localidades e a quantidade de “relógios de luz” que havia nestes locais, segundo a própria concessionária de energia elétrica, a Ampla.

“Acreditamos que aproximadamente 10 mil pessoas foram afetadas. Haver pouco mais de mil [mortos e desaparecidos], como é divulgado, é um número irreal pela proporção da tragédia”, afirma o frei Marcelo Toyansk, que está à frente da Associação de Vítimas de Teresópolis (Avit).

Para as entidades, os relógios de luz nos locais evidenciam que mais pessoas viviam nas regiões que foram completamente devastadas, como é o caso do bairro Córrego D’antas, em Nova Friburgo.

Estamos preparados para um novo desastre?

Desde 2011, diversas ações foram realizadas nas cidades atingidas. Obras de contenção e recuperação de encostas, mapeamento de áreas de risco, ampliação das estruturas de monitoramento do clima, instalação de sirenes, criação de pontos de apoio, de níveis de alerta e do envio de SMS comunicando às populações sobre perigos, entre outras medidas.

Estamos preparados para um novo desastre?

Os governos federal e estadual responderam também com legislações que levaram os municípios a elaborarem cartas de risco. Porém, segundo a professora da UFRJ, ainda não há conhecimento aprofundado sobre a superfície dos terrenos.

De acordo com Ana, ainda estamos muito aquém de uma preparação adequada para evitar um desastre em decorrência de variações climáticas, com chuvas pesadas. Como prevenção, ela diz que é fundamental que sejam desenvolvidas metodologias de referência que orientem os procedimentos para a redução dos desastres em regiões mais suscetíveis, como as montanhosas.

Veja também: