Palacete do Gavião: Imponente construção do ciclo do café em Cantagalo

Palacete do Gavião - Cantagalo-RJ

Quem passa pela estrada de Cantagalo, às margens da RJ-160, é sobressaltado pela paisagem de uma fazenda com um lindo casarão de arquitetura que remete a traços da antiguidade clássica grega e romana, com doze colunas frontais. Trata-se do imponente Palacete Gavião.

Projetada pelo alemão Waehneldt (o mesmo que projetou o Palácio do Catete, atual Museu da República, que foi residência do Presidente Getúlio Vargas no Rio de Janeiro), os trabalhos terminaram no ano de 1860.

Com a a construção do palacete, o ramal férreo, utilizado principalmente para o transporte do café, fora também iniciado com a realização de António Clemente Pinto e concluída por seu filho Bernado Clemente Pinto. A estação Férrea estendeu-se de Muri à Portela, atravessando as terras dos Nova Friburgo.

Palácio do Gavião

A sede é um exemplo da arquitetura neoclássica do Brasil. O palacete encontra-se a 2km do centro da cidade de Cantagalo e já hospedou o imperador Dom Pedro II e sua filha, princesa Isabel, pois visitaram a região durante o ciclo cafeeiro.

O palácio encontra-se plantado numa colina, entre arvoredos, pomares e uma indústria de laticínios, representando uma atalaia perdida no deserto, guardando sonhos e esperanças dos antigos e poderosos senhores.

Conta-se que no interior do Palacete do Gavião ainda existem vestígios da belíssima pintura a óleo. Na sala de jantar, cuja decoração notavam-se peixes, aves e frutas, feitas com perfeição por um notável pintor vindo de Paris para realizar o serviço.

Há na fazenda uma capela denominada Pedro II. Sobre o altar existe uma formosa imagem natural de N. S. da Conceição e no centro existe um quadro emoldurado com a autorização escrita a punho por D. Pedro II e pelo Bispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, permitindo que fossem rezadas missas no local. O documento data de 19 de junho de 1882.

O Palacete do Gavião é tombado pelo município, mas é de propriedade privada e não está aberto à visitação. Atualmente, o mato toma conta da importante obra e o palacete está a deriva do tempo. O local já foi alvo de arrombamentos e furtos, segundo informa alguns registros de ocorrência.

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