Roberto Gómez Bolaños: O gênio que o mundo conheceu

Como eu nasci no Brasil e cresci durante os anos 1990 seria impossível pensar em um mundo em que não existisse Chaves, Chapolin, Dr. Chapatin e tantos outros personagens criados pelo gênio mexicano Roberto Gómez Bolaños (1929-2014), o Chespirito, que faleceu no dia 29 de novembro de 2014.

Talvez tão grande quanto a genialidade de Chespirito seja também a sua legião de fãs. Por outro lado, há também inúmeras críticas a seu modo simples e ingênuo de fazer humor, como se uma das melhores coisas da vida não fosse justamente a simplicidade do riso puro e inocente.

Existem muitas mensagens importantes nos trabalhos de Chespirito, sobretudo, a forma como ele criava personagens que transmitiam vida própria. O motivo principal desse texto é homenagear essa pessoa importante que fez parte da minha infância e da infância de inúmeras pessoas que ainda choram sua morte.

Roberto começou sua carreira em 1950, quando estreou na Televisa como Chespirito, já ao lado de boa parte do elenco que daria vida ao Chaves. No começo dos anos 1970, colocou no ar o Chapolin Colorado e posteriormente, o programa que o tornaria imortal, o “Chavo Del Ocho”.

Roberto Gómez Bolaños foi um premiado ator, cantor, comediante, compositor, desenhista, diretor, dramaturgo, engenheiro, escritor, filantropo, humorista, pintor, poeta, produtor de televisão, publicitário e roteirista mexicano. Ele é considerado um dos ícones do humor e entretenimento de língua espanhola e amplamente considerado um dos melhores comediantes de todos os tempos. 

Tornou-se célebre, ganhando notoriedade internacional, por ter sido o criador e protagonista das séries televisivas El Chavo del Ocho e El Chapulín Colorado, e com o Programa Chespirito que ganhou o título de o programa número 1 da televisão humorística, as quais lhe trouxeram grande prestígio e garantiram-lhe o reconhecimento como um dos escritores comediantes mais respeitados de todos os tempos. O multitalentoso se formou em engenharia, mas o seu talento verdadeiro foi encontrado no meio artístico, razão pela qual nunca exerceu formalmente a profissão de engenheiro.

BIOGRAFIA

Filho da secretária bilíngue Elsa Bolaños Cacho (1902–1968) e do pintor, cartunista e ilustrador Francisco Gómez Linares (1892–1935), Roberto Goméz Bolaños se formou em engenharia elétrica na Universidade Nacional Autônoma do México, mas nunca exerceu a profissão. Começou sua carreira como escritor criativo, através do rádio e televisão durante a década de 1950, quando começou a escrever roteiros para programas da dupla Viruta e Capulina (Marco Antonio Campos e Gaspar Henaine). Também fez vários roteiros de cinema e começou a representar como ator em 1960, no filme Dos Criados Malcriados. No entanto, continuou a dedicar a maior parte de seu tempo a escrever, contribuindo para o diálogo de scripts e filmes de televisão mexicana.

Roberto admitiu ter fumado por 40 anos, deixando por considerar plenamente ruim. Quando ainda criança, gostava muito de jogar futebol e praticar boxe, assim como interagir com seus brinquedos. De acordo com Augusto Rattoni, ele gostava de pintura e desenhos, fazia muitas paisagens e rostos.

“Chespirito” é a forma diminutiva e castelhanizada do vocábulo inglês Shakespeare (Chekspir). Tal apelido foi dado a Bolaños pelo diretor de cinema Agustín P. Delgado, que o considerava um pequeno William Shakespeare, capaz de escrever histórias tão prolíficas e versáteis quanto o autor inglês. Roberto ganhou este apelido quando escreveu o roteiro para o filme Los Legionarios, primeiro filme em que Chespirito trabalhou.

Em 1968, começaram as transmissões Independentes de Televisão no México e Chespirito foi chamado como escritor para a realização de um programa com duração de meia hora. E assim, nasceu “Los Supergenios de la Mesa Cuadrada”. Ao lado de Chespirito, contracenavam Ramón Valdés, Rubén Aguirre e María Antonieta de las Nieves.

Em 1970, o programa teve sua duração aumentada. Nessa época, surge o Chapolin Colorado, um herói atrapalhado. Dois anos depois, foi criado o personagem que se tornaria o maior sucesso de Bolaños, Chaves. Ambos os personagens funcionaram tão bem que as esquetes se tornaram séries independentes de 30 minutos de duração em 1973, após o fim do Programa Chespirito.

Apesar de ser mais conhecido pelos papéis Chaves e Chapolin, Chespirito também foi autor de vários personagens, como Chompiras, Dr. Chapatin, Vicente Chambon e Chaparrón Bonaparte.

Por causa de seus roteiros recorrentes, os programas se tornaram sucesso em todo o mundo, graças a simpatia de Roberto Gómez Bolaños e do grupo de atores em distintas épocas formado por Carlos Villagrán, Ramón Valdés, Florinda Meza, Rubén Aguirre, Édgar Vivar, Angelines Fernandez, Raúl Padilla, Horacio Gómez Bolaños e María Antonieta de las Nieves, que também encontraram a fama internacional.

Em 1980, seus sketches criaram um programa de uma hora semanal chamado de “Programa Chespirito” e permaneceu no ar até 1995. Após o fim do programa, Chespirito se aposentou da televisão. Várias emissoras de TV no mundo inteiro ainda tentaram contratá-lo, mas ele recusou todas as ofertas.

Chespirito também estrelou em filmes mexicanos, escritos e realizados por ele mesmo como “El Chanfle” e “El Chanfle 2”, “Don Ratón e Don Ratero”, “Charrito” e “Música de viento”.

Após ter se aposentado da televisão, trabalhou por algum tempo na Televicine, unidade de cinema da Televisa.

Em 1992, recebe o “Prêmio de Literatura da Sociedade Geral de Escritores do México” pelo roteiro da peça “La Reina Madre”.

Em 2000, a rede de televisão mexicana Televisa homenageou todo o elenco dos seriados Chaves, Chapolin e Chespirito com o programa “¡No contaban con mi astucia!”, ano em que o seriado completava 30 anos. Essa homenagem ficou marcada pelo reencontro de Chespirito com o ator Carlos Villagrán, que interpretou o Quico no seriado “Chaves”. Os dois não se viam há mais de 20 anos.

Chespirito também escreveu livros, como “O Diário do Chaves” e sua autobiografia, intitulada “Memorias – Sin Querer Queriendo”.

Em 2006, foi lançada a série animada do Chaves, produzida pelo filho de Bolaños, Roberto Gómez Fernández. O próprio Chespirito escreveu os roteiros dos episódios do desenho e participou de um especial organizado pela Televisa no lançamento da série animada, no dia 21 de outubro de 2006.

Em 12 de novembro de 2009, Chespirito foi internado em emergência em um hospital na Cidade do México. De acordo com declarações de seu filho Roberto Gómez Fernández, Chespirito teve uma complicação da próstata, e teve de fazer uma cirurgia.

Por causa de uma insuficiência respiratória, Roberto se mudou da Cidade do México para Cancún para minimizar o efeito da doença.

Em 28 de maio de 2011, Chespirito abriu sua conta no Twitter chegando em menos de um dia mais de 170.000 seguidores, o segundo dia um total de 250.000 seguidores.

Em 2012, um evento denominado América celebra a Chespirito em comemoração os quarenta anos de carreira do ator foi programado para ocorrer em 17 países, entre eles Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Equador, Estados Unidos, México, Peru e Nicarágua.

No dia 20 de novembro de 2013, foi condecorado com o Premio Ondas Iberoamericano pela trajetória destacada na televisão mundial.

Roberto Gómez Bolaños faleceu em 28 de novembro de 2014, aos 85 anos, em sua casa em Cancún, no México.

Roberto não se foi, permanece no meu coração e no de todos que te assistem felizes por tantos anos. Obrigado por tua sabedoria, por sua trajetória, eterno Chespirito.” 

CASAMENTO

Bolaños casou-se pela primeira vez com Graciela Fernández Pierre, falecida em 26 de agosto de 2013. Tiveram os filhos Paulina, Graciela, Marcela, Teresa, Cecília e Roberto. Bolaños conheceu Graciela em 1951 e os dois se casaram em 1956, numa cerimônia simples e passaram a lua de mel em Acapulco. Foi Graciela quem confeccionou o uniforme do Chapolin. O casamento durou de 1956 a 1977, quando Bolaños decidiu se separar de Graciela.

Pouco depois, tornou-se público o relacionamento que ele teve com uma de suas colegas de elenco, a atriz Florinda Meza, que interpretou a Dona Florinda e a Pópis na série ‘Chaves’. O romance começou durante uma turnê do elenco no Chile em outubro de 1977. Antes disso, Gomez Bolaños havia a cortejado por cinco anos, mas ele ainda estava casado e Florinda não queria se envolver com ele por considera-lo mulherengo e infiel. Depois de um tempo, Florinda aceitou ficar com Roberto. Ele então se separou de Graciela e foi morar junto com Florinda. No México, Roberto e Florinda foram criticados por manter essa relação, já que tudo começou quando Bolaños ainda era casado com Graciela. Florinda rebateu as alegações anos mais tarde: “Eu não sou uma rouba maridos. Ele teve problemas com seu casamento e era bem conhecido por suas infidelidades”.

Depois de 27 anos de uma união estável com Florinda Meza, Bolaños casou-se com ela em uma cerimônia civil no cartório, no dia 19 de novembro de 2004, e comemorou com uma grande festa num restaurante da Cidade do México.

Apesar de ter se separado de Graciela em 1977, Bolaños continuou legalmente casado com ela até 2004, quando decidiu se casar com Florinda. Por isso, somente em 2004 Bolaños se divorciou de Graciela oficialmente, para poder se casar mais uma vez. Em sua autobiografia, Roberto admitiu que foi infiel com Graciela e contou que se sentia culpado por isso, motivo pelo qual deixou para ela todos os bens que tiveram juntos. Roberto e Graciela continuaram amigos, apesar de tudo que aconteceu. Bolaños também contou que seus filhos demoraram a aceitar a relação dele com Florinda Meza.

Ele teve 6 filhos do primeiro casamento, mas nenhum com Florinda, por ter feito uma vasectomia irreversível, antes de conhecer Florinda.

NO BRASIL

Em toda a sua vida, Roberto Gómez Bolaños visitou o Brasil uma única vez, em 1981, enquanto fazia uma viagem à caminho do Paraguai (onde estava fazendo uma turnê com o elenco de ‘Chaves’). Na ocasião, esteve em Foz do Iguaçu por dois dias.

Em uma viagem à Buenos Aires, na Argentina, Bolaños se encontrou na rua com um grupo de brasileiros, que lhe pediram autógrafos. Neste dia, percebeu pela primeira vez que era querido no Brasil.

Chespirito realizou turnês com o elenco de ‘Chaves’ nas décadas de 1970 e 1980, se apresentando em vários países, mas nunca trouxe as turnês para o Brasil. O motivo foi o idioma, pois Bolaños acreditava que causaria estranheza nos brasileiros ver os personagens falando espanhol. Depois que ele e os outros atores do elenco aprenderam o português, Chespirito quase realizou uma turnê no Brasil em 1992, com os atores que ainda estavam no programa. Mas o momento político do país, que passava por várias manifestações contra o então presidente Fernando Collor, fez com que a turnê fosse cancelada.

Em 2006, Roberto disse que iria vir ao Brasil para o lançamento de seu livro O Diário do Chaves, mas ele não veio, por motivo desconhecido. 

Em 2011, o SBT tentou trazer Bolaños ao Brasil para a comemoração dos 30 anos da emissora mas, por causa dos problemas de saúde do ator, os médicos não autorizaram a viagem.

Em conversas com os fãs pela internet, Bolaños declarou que gostava muito do Brasil e que, quando sua saúde melhorasse, pretendia visitar o país e agradeceu o carinho dos fãs brasileiros.

Bolaños tem grande admiração pelo brasileiro Pelé e já disse várias vezes que o jogador é seu ídolo. Uma vez, o próprio Pelé lhe pediu que fizesse um filme de ‘Chaves’. Mas Bolaños recusou, porque acreditava que ‘Chaves’ só daria certo na televisão.

Em 1988, o apresentador Gugu Liberato foi ao México e entrevistou Bolaños e outros atores de ‘Chaves’. A entrevista, que foi exibida no programa Viva a Noite em janeiro de 1989, foi a primeira de Chespirito a um jornalista brasileiro. Ele voltou a dar outras entrevistas para programas brasileiros ao longo dos anos. A última foi dada ao Ratinho em 2011 e exibida no Programa do Ratinho. Nela, Roberto Gómez Bolaños mandou uma mensagem para os seus fãs nos Brasil: “Agradeço de todo o coração o que falam de mim no Brasil. Creio que nem mereço, digo isso sinceramente. Então agradeço muito mais. Amo vocês, seja como vocês são, como eu conheço vocês: muito alegres, muito brincalhões, bons, sejam muito, muito brasileiros. Brasil, amo vocês, eu te amo.”

A última mensagem de Chespirito em seu perfil no Twitter foi para uma fã brasileira, em que ele disse: “Todo meu amor para o Brasil”. Abaixo uma homenagem do Sistema Brasileiro de Televisão à Roberto Gómez Bolaños


DESAVENÇAS COM ELENCO

Em sua carreira, Roberto Gómez Bolaños teve desentendimentos com dois atores do elenco de ‘Chaves’: Carlos Villagrán, que fez o Quico; e María Antonieta de las Nieves, que fez a Chiquinha.

Os desentendimentos com Villagrán começaram ainda durante as gravações do seriado na década de 1970. Villagrán disse para a imprensa que Chespirito começou a tentar reduzir o espaço do Quico na série, o que não agradou Villagrán; e acusou Chespirito e os demais atores do elenco de estarem com inveja, porque o Quico fazia mais sucesso entre os fãs do seriado do que o próprio Chaves. 

Chespirito, por sua vez, disse que Villagrán roubava a cena, ou seja, fazia mais do que devia apenas para chamar a atenção do público, o que atrapalhava o elenco. Villagrán então decidiu sair do seriado em 1978, após receber convites de outras emissoras. Carlos pretendia continuar se apresentando como Quico no México e fazer um programa na Televisa, mas se recusou a colocar o nome de Bolaños como criador do Quico nos créditos. Carlos alegou para isso que ele seria o criador do Quico e não Bolaños. Chespirito não aceitou e, tendo os direitos autorais sobre os personagem Quico, não autorizou Villagrán a fazer o programa. 

Roberto falou em entrevistas que, depois disso, Villagrán ainda tentou processá-lo pelos direitos autorais do Quico, mas não conseguiu porque Roberto tinha registrado o Quico em seu nome e no documento constava a assinatura de Carlos reconhecendo que Roberto era o criador do personagem. Carlos disse que tinha sido forçado a assinar o registro e continuou querendo se apresentar como Quico sem reconhecer o direito autoral de Bolaños, o que levou o presidente da Televisa, Emilio Azcárraga Milmo, a ordenar que nenhuma emissora do México contratasse Villagrán. Para poder continuar se apresentando, Villagrán registrou o personagem como “Kiko” e foi para a Venezuela estrelar um programa solo com o personagem. Posteriormente, Villagrán contestou publicamente o direito autoral de Bolaños sobre o personagem Quico e alegou que era mais dono do personagem por tê-lo interpretado. Carlos ainda fez várias declarações para a imprensa criticando Bolaños. Boatos diziam que Chespirito e Carlos Villagrán teriam brigado também por causa da atriz Florinda Meza, que antes de se envolver com Chespirito, chegou a namorar Villagrán. Tais boatos nunca foram confirmados, mas Villagrán chegou a acusa-la de influenciar Chespirito para que ele reduzisse o espaço do Quico na série. Por causa desses desentendimentos, Chespirito e Carlos Villagrán ficaram anos sem se falar e só voltaram a se reencontrar na homenagem da Televisa aos 30 anos da série, em 2000.

Após o fim do Programa Chespirito, María Antonieta de las Nieves seguiu se apresentando como Chiquinha em outros projetos, como uma série de televisão, um filme e apresentações de circo. Para poder fazer isso, ela registrou a Chiquinha em seu nome, como se a personagem fosse criação dela, sendo que o criador é Chespirito. Além disso, Maria fez o registro sem falar com Bolaños antes ou lhe pedir autorização para usar a personagem. Por isso, em 2002, Chespirito abriu um processo pelos direitos autorais da personagem Chiquinha. Em primeira instância, a justiça deu vitória para María Antonieta pois considerou que, apesar de Chespirito ter criado a personagem, ele não havia renovado o registro dela, perdendo assim os direitos autorais. Chespirito recorreu da decisão e o processo continuou até 2005, quando chegou ao fim. Segundo a própria Maria Antonieta, foi feito um acordo para que tanto ela como Chespirito pudessem usar o nome da personagem Chiquinha. 

O que aconteceu foi que a decisão de primeira instância se manteve, e com isso Maria ficou com os direitos sobre a Chiquinha por tê-la registrado, mas disse que sempre iria autorizar Bolaños a usar a Chiquinha, sem mesmo cobrar por isso, desde que ele pedisse antes – para evitar qualquer problema burocrático. Mas Chespirito não concordou em perder os direitos autorais sobre a Chiquinha e ter que pedir autorização para usar uma personagem que ele criou, motivo que fez com que, um ano depois, a Chiquinha ficasse ausente da série animada do Chaves. Maria não gostou da ausência da Chiquinha no desenho e acusou Roberto Gómez Fernández, filho de Bolaños e produtor do desenho, de boicotá-la. Assim, a ausência da Chiquinha no desenho reascendeu a briga entre Chespirito e Maria Antonieta. Em 2010, a imprensa mexicana divulgou que Chespirito teria reaberto o processo pelos direitos autorais da Chiquinha, mas Roberto Gómez Fernández negou a informação. Porém, em 2013, Maria declarou que tinha vencido o processo contra Bolaños. Roberto Gómez Fernández negou, dizendo que ainda não havia uma decisão judicial definitiva e avisou que iria continuar com o processo. Em entrevistas, Bolaños falou que, na verdade, ele não processou Maria Antonieta e sim o Instituto Nacional de Direitos do Autor, onde Maria registrou a Chiquinha no nome dela, por ter permitido que isso acontecesse e por não reconhecer o direito autoral dele sobre a personagem. Assim como Villagrán, Maria alegou que, por ter interpretado a personagem, ela seria a dona da Chiquinha.

Carlos Villagrán e María Antonieta de las Nieves não foram convidados para a homenagem da Televisa à Chespirito, em 2012.

ESTE ARTIGO TRATA-SE DE UM REGISTRO MINUCIOSO DA VIDA E OBRA DE ROBERTO GÓMEZ BOLAÑOS – BASEADO NA ENCICLOPÉDIA LIVRE DIGITAL.

Veja também: