Material para vítimas da tragédia climática de 2011 fica inutilizado

Camas, colchões, esponjas e cobertores foram encontrados abandonados em uma sala do Ginásio Pedro Jahara, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, nesta segunda-feira (15). O material seria fruto de doações para as vítimas da enchente de 2011 e passou despercebido por quatro governos, sendo descoberto no quinto durante uma vistoria realizada pela Secretaria de Esportes, que funciona no local. O ginásio ainda abriga atividades esportivas diárias e um museu.
 
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Foto: Divulgação
De acordo com o secretário de Esportes, Luiz Otávio de Araújo Oliveira, que assumiu a pasta em janeiro, as doações estavam trancadas dentro de uma das salas do ginásio. “Não tem registro desse material, nenhum documento que indique a quantidade ou de onde veio. A única coisa que sabemos, através dos funcionários, é que chegou junto com outras doações em 2011”, afirmou.
 
Ele conta também que várias salas estavam fechadas e foi preciso chamar um chaveiro para ter acesso ao interior dos locais. O Ginásio Pedro Jahara abre de segunda a sexta-feira e oferece escolinhas de várias modalidades esportivas, além de possuir um museu sobre a história dos principais atletas da cidade.
 
Desde 2011, Teresópolis teve cinco prefeitos. O troca troca aconteceu por conta do afastamento de alguns dos políticos que assumiram o cargo e da morte de um deles. Nenhuma gestão anterior identificou ou tomou providências sobre o material. Para Cláudio Carneiro, voluntário da Associação das Vítimas da Tragédia (Avit), o desperdício é motivo de tristeza. “A Prefeitura deveria ver na Assistência Social se tem alguém está precisando dessas coisas e esclarecer o que vai ser feito com as doações”, declarou.
 
12699133 1030074107056153 1141044309 oNesta terça-feira (16), uma equipe da Secretaria de Esportes contabilizou os itens. O G1 tentou contato com todos os prefeitos que já assumiram a Prefeitura para saber se alguém tinha conhecimento do caso e por qual motivo os itens não foram doados. Sobre Jorge Mário, a reportagem recebeu a informação que o político mudou de cidade e não conseguiu localizá-lo. Já o advogado de Arlei Rosa disse que não responde por esta questão e afirmou que não conseguiu contato com o ex-prefeito.
 
A equipe do G1 também enviou e-mail para Márcio Catão, através de um assessor, e aguardando um posicionamento sobre o caso.
 
Caos político
 
Desde 2011, Teresópolis teve cinco prefeitos. O último, que está à frente da Prefeitura, é Mário Tricano. Ele tomou posse no dia 22 de janeiro, após o Supremo Tribunal Federal (STF) conceder liminar. O político foi eleito em 2012, mas ficou inelegível com base na Lei da Ficha Limpa. Antes da decisão judicial, o município começou a ser governado por Arlei Rosa, segundo colocado no pleito, mas ele acabou sendo cassado depois que o Ministério Público abriu uma investigação sobre um susposto enriquecimento ilícito. Arlei foi cassado por uma Comissão Processante da Câmara de Vereadores e quem assumiu o executivo foi o vice-prefeito, Márcio Catão, afastado após a decisão que trouxe Mário Tricano para o cargo.
 
Antes das eleições de 2012, a cidade era governada por Jorge Mário. O prefeito estava a frente das ações durante a tragédia de 2011, mas também foi cassado pelo vereadores que estavam investigando o mau uso do dinheiro destinado para recuperação do município após as chuvas de janeiro. Quem assumiu o executivo foi Roberto Pinto, que morreu vítima de um infarto apenas dois dias depois ter tomado posse.
 
Ainda em 2011, Arlei Rosa era o presidente da Câmara de Vereadores e chegou a assumir a Prefeitura, antes das eleições de 2012.
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